quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Solidão: Mais que uma palavra...



Hoje...
Mais um dia de aula, e como sempre, esperava uma maior participação dos alunos.
Em meio a uma explicação de como localizar e pesquisar arquivos no computador, demonstrava como buscar por uma palavra contida num arquivo.
Como exemplo, de forma fácil e natural citei que poderiamos, caso houvesse, procurar por uma frase em algum arquivo que contivesse um palavra simples, mas que um aluno espantou-se e repitiu: "Solidão?".
- "Professor, o senhor é tão solitário assim? Não tinha outra palavra melhor?" - Ele dizia isso e olhava pra mim, como quem parecia não conhecer o sentido dessa palavra. Rapidamente respondi e não aparentei reação maior: - "Foi a primeira palavra que me veio a mente e, aliás, muito comum em letras de música por exemplo."
Achei aquilo o suficiente para encerrar aquele assunto, embora eu mesmo não conseguisse entender totalmente o pôrque de ter falado isso.
Mais que uma forma de proteção, percebi que realmente o que o aluno falara, de algum modo, fazia sentido.
Mesmo com a proximidade do evento que há tanto eu espero (Ceará Music), a solidão ousa bater à minha porta, e , às vezes, entra sorrateiramente, mas rapidamente vai embora.
A aula continuou e , como sempre, deixei os alunos a vontade e tentei criar um clima de descontração e interação. Todos ainda meio acanhados e me deixavam ali apenas falando, explicando e me desgastando mais ainda.
Não demora muito e chegamos ao fim... Vou me despedindo e lembrando-os de nosso encontro na semana que vem, avisando também sobre o feriado e a aula que deverá cobrir o feriado. Aos poucos, todos vão saindo e, quando olho para o lado, está de mão estendida o mesmo aluno que me questionara sobre a "solidão". Cumprimentei-o e desejei a ele e a todos um ótimo fim de semana. Como sinal de cordialidade, fui ainda até o portão e - mais uma vez, da mesma pessoa - recebo um outro gesto de despedida.
Não fosse momentos bons e felizes, fazer o que gosto e o apreço que alguns têm comigo, terminar essa aula teria sido mais difícil.

domingo, 13 de setembro de 2009

A diferença




Se você olhar em meus olhos, os verá castanhos...
Mas não saberá que cor eles realmente refletem.
A mesma força que está em mim, está em outros
E pelo mesmo motivo, às vezes, nos sentimos fracos
O mesmo sol e o mesmo céu nos cobrem
E ainda assim, não temos as mesmas belas manhãs
Podemos até nos encontrar pelas mesmas ruas
Mas nossos caminhos serão diferentes
E enquanto um sorri, o outro se esconde e foge
Às vezes de si mesmo ou dos que estão ao seu redor
Às vezes de palavras ou de algo mais cortante
Pelos mesmos motivos lutamos
E pelas mesmas razões somos reprimidos
Sob o mesmo olhar que nos afaga
O mesmo que nos afasta
Entre os mesmos braços que aqueciam
Os mesmos que se fecham
Entre os sorrisos de alegrias
Os mesmos rostos tristes...



O que nos faz diferente não é o que vêem,
mas é não saberem quem realmente somos.

...




[...]
- Não se tem as pessoas para sempre.
- Então, porque se importar?
- Não vale a pena?
- Sim.
[...]

Shelter (De repente, Califórnia)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Cada palavra

Não será a primeira e nem a última vez em que deixarei as palavras domarem meus dedos.
Nunca fui de dissertar exata ou atraentemente, mas sempre que rabiscava (ou digitava), queria fazer com que pedaços de imagens e falas ecoantes em minha cabeça fossem entrelaçadas com o que eu sentia. Nem sempre sabia ao certo o que sentir ou fazer, mas acho que era justamente isso que me deixava mais íntimo de mim mesmo e, de certa forma, alheio ao que os outros pensam.
É essa intimidade que me faz "conversar" com pensamentos, desenhar minhas idéias e estruturar tudo isso dentro de um mesmo espaço.

Confesso que construir um pensamento e ainda conseguir fixá-lo para que outros olhos o pudessem compreender, já foi bem mais simples e nem por isso mais "próprio". Antes, talvez fosse preciso algum fato argumentado, contestado e comprovado pra que minha própria consciência conseguisse interpretar aquilo tudo e , assim, estabelecer uma relação ver-pensar-expor.

Agora, não basta apenas escrever, tem-se de sentir...
Sentir cada parte do que escrevo...
Cada palavra que lapido em frase..
E se não escrevo tudo o que sinto, reescrevo as palavras!